O que é fabricação digital?


Sabemos o que é fabricar e também compreendemos o significado de digital. Mas o que acontece quando unimos essas duas palavras para um terceiro entendimento? 

Em uma explicação sintética, poderíamos dizer que este conceito trata-se de processo de materialização através de máquinas automatizadas de um objeto ou produto concebido em programas digitais.

Porém, isto não significa que o processo é unidirecional, em que a etapa inicial é a criação do projeto em softwares e a etapa final é a fabricação com máquinas. Na verdade, entre isto há um fazer criativo e processual de criar-materializar-recriar-materializando, em contínua atividade de ação-reação.

Além disto, o conceito compreende também a prototipagem rápida e a manufatura aditiva. No entanto, neste texto vamos discorrer mais especificamente sobre as técnicas CNC – Computer Numeric Control. Daremos enfoque na materialização a partir da troca de dados digitais para o físico através de máquinas controladas por computador.

Mas por que falar em fabricação digital e não apenas fabricação?

Porque a parte digital é basilar no entendimento deste conceito. Um exemplo bem prático e atual são as face shields que demonstram, em escala mundial, como funciona a fabricação digital.

Detalhe do corte de uma máscara uma proteção plástica no Laboratório de Fabricação Digital da UGA. (Foto de Andrew Davis Tucker / UGA)

Criou-se um arquivo digital da máscara protetora que foi disseminado entre diversas partes do mundo onde foi possível produzir um objeto localmente, através das máquinas de fabricação.

Na imagem acima é possível ver uma máquina a laser cortando a proteções plásticas no Laboratório de Fabricação Digital da UGA para uso local. (Foto de Andrew Davis Tucker / UGA).

Desta maneira, não foi necessário – por exemplo – o envio de 10.000 protetores faciais de um lugar para outro. Contudo o envio do arquivo deste projeto se faz muito rapidamente, possibilitando a reprodução, modificação e aprimoramento do produto através da fabricação digital em outros locai do mundo.

Já imaginou quanto tempo seria necessário para obtenção das máscaras no caso de só um determinado local fosse capaz de fazê-los, enviá-los e distribuí-los?

O fator digital nos possibilita rapidez e sobretudo a possibilidade de compartilhamento.

E, neste sentido, a cultura maker está intimamente conectada com a fabricação digital, visto que se trata de uma rede de pessoas conectadas através da criatividade e troca de processos, arquivos e informações.

Fabricação digital, o conceito

As tecnologias de fabricação digital nos permitem criar digitalmente objetos (em programas de modelagem/desenho 2D ou 3D) e fabricá-los através de máquinas específicas (3D, cortadoras à laser, fresadoras, routers, entre outras).

Estas ferramentas trabalham de formas interconectadas, ou seja, o arquivo gerado nos programas digitais deverá ser compatível com a leitura da máquina para que a fabricação ocorra.

Assim, há diversos materiais e máquinas que possibilitam a fabricação digital, abaixo encontramos uma síntese das principais:

 

  • Fresadoras: funciona através do desbaste por rotação de uma broca em distintos eixos | materiais de suporte: plástico, madeira;

  • Impressão 3D: solidificação por camadas | materiais de suporte: ceras, pós, líquidos;

  • Routers: desbaste por rotação da fresa em dois eixos principais e laterais) | materiais de suporte: lâminas de madeira, plástico;

  • Cortadoras industriais corte com água e pressão abrasiva ou plasma) |materiais de suporte: lâminas metálicas.

  • Corte a laser: funcionamento por combustão, um laser se movimenta em diferentes eixos x/y) | materiais de suporte: lâminas de papel cartão, plástico, lâminas de madeira;

Em resumo, podemos compreender o conceito como uma tecnologia que subverte as formas tradicionais da produção manufaturada, conciliando o desenho e programação digital com máquinas de fabricação.

Fabricação digital, aplicações  na vida real

Apesar de cada vez mais comum, ainda nos surpreendemos quando observamos que algum objeto é fruto da fabricação digital. Não passam despercebidas as joias, roupas, móveis e próteses oriundos de corte à laser, router ou impressões 3D.

Essas novas tecnologias e modos de fabricar, não só expandem as possibilidades de produzir objetos, como também liberam a criatividade do usuário a novas configurações. Além disso, gera-se outras oportunidades de negócio, um grande exemplo é a Wiki House

Segundo a própria descrição da página, é um sistema de construção de casas através fabricação digital. O objetivo é facilitar a criação, a fabricação e a montagem de lares bonitos e de alto desempenho, personalizados de acordo com as necessidades dos usuários.


No site há guias de fabricação, com indicações dos materiais e máquinas necessárias para fabricação dos projetos.

Fonte das imagens: Wikihouse

“As casas podem ser montadas rapidamente com precisão milimétrica. Quase qualquer um pode fazê-las, maximizando as possibilidades de pequenas empresas e também autonomia construtiva. “

Além disso, há outras páginas que disponibilizam seus arquivos para corte, como por exemplo a SketchChair. No site, é possível fazer o download gratuito de diversos designs de cadeiras para fabricação e uso pessoal.

A inciativa é um combo de: design bacana + faça você mesmo (lixe, pinte, monte a própria cadeira) + valor relativamente baixo para produzir.

Cultura maker e fabricação digital

A principal motivação da cultura maker é a solução de problemas, a experimentação com artefatos e a utilização da tecnologia e dos recursos disponíveis.

Em grande parte, são práticas que se baseiam na utilização de softwares abertos, ferramentas descentralizadas de gestão de conhecimento e, de maneira crescente, o Open Source. 

Podemos dizer que trata-se de um movimento que atua e motiva o criar-fazer/fazer-criar com autonomia e curiosidade. Instigando as pessoas a perceberem como as coisas funcionam e, também, convidando-as a pensá-las de outras formas.

Desta maneira, a cultura maker acolhe os erros como oportunidades de aprendizado e também como possibilidades outras do fazer diferente, para além do projeto, reconhecendo o valor do inesperado

Nesse sentido, a página Instructables tem muitas ideias bacanas, com a premissa do faça você mesmo (Do It Yourself). Vale muito a pena acessar, pois o site é repleto de projetos e referências inspiradoras.

Mas, afinal, o que implica tudo isso?

Por fim, o aprendizado dessas ferramentas vem acompanhado de uma forte cultura empreendedora e criadora de novos modelos de negócios. Que, por sua vez, consideram pequenas escalas de produção, descentralizando e redistribuindo o foco antes concentrado em grandes centros globais da manufatura, por exemplo.

Ou seja, qualquer empresa local com capacidade de desenho e acesso a fabricação digital estaria habilitada para competir por nichos locais de mercado, antes abrangidos por gigantes da indústria.

Além disso, através da fabricação digital é possível gerar desenvolvimento econômico e social para região, quando que acompanhado pela criação de espaços amplos, participativos, de experimentação com a tecnologia e adoção de práticas de inovações abertas.

Os Fablabs (laboratórios abertos em todo mundo, criado no MIT em 2001) ou as oficinas independentes (a Sambi, por exemplo) são modelos de espaços que incentivam muito a experimentação e troca de conhecimentos entre entusiastas e makers.

Que tal começar a pensar mais sobre cultura maker? Na Sambi temos o espaço, as máquinas e braços abertos para acolher a tua criatividade. Quer saber como funciona nosso galpão?

Entra em contato com a gente, vamos adorar trocar uma ideia contigo e te receber por aqui.

#Se puder, fique em casa
Um abraço apertado,

Equipe Sambi.

@sambi.makers
tambemquero@sambi.co